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    As gueixas surgiram durante a Era Tokugawa (1600-1868), na qual o Japão conheceu um período de estabilidade política, crescimento econômico e florescimento cultural.
    Essa era, também conhecida como Período Edo, tornou-se possível após o fim de mais de quatro séculos de guerras internas e com a ascensão do xogunato.
    Em 1600, o general Ieyasu Tokugawa derrotou o último de seus oponentes e se autodeclarou soberano de todo o país. "As diferentes províncias que compunham o Japão, e que antes guerreavam entre si, foram unificadas, permitindo que as pessoas concentrassem seus esforços em se tornar prósperas e em desenvolver as artes da paz", conta o livro "Women of the pleasure quarters - the secret history of the geisha", da jornalista inglesa Lesley Downer.
    Para ela, isso foi o começo de um extraordinário "Renascimento Japonês". "É nesse ambiente de refinamento cultural, em que artes como o Ikebana e a Cerimônia do Chá se consolidam e o entretenimento se torna mais sofisticado, que surgem as gueixas", explica Luís Massahiro Hanada, que foi secretário-geral da Aliança Cultural Brasil-Japão até 1997.

    Arte do entretenimento.
    No início, "gueixa" se referia aos homens que exerciam a atividade do entretenimento (eles também eram chamados de hokan ou taikomochi).
Só com o passar do tempo é que a atividade se transformou em uma ocupação feminina.
    De acordo com a enciclopédia japonesa Kodansha, os primeiros registros do uso da palavra "gueixa" datam de 1751, em Kyoto, e de 1762, em Edo (atual Tokyo).
    Entre seus precursores estão as shirabyoshi, que no século 12 eram dançarinas e, eventualmente, amantes de nobres e guerreiros. No século 18, a atividade de boa parte das gueixas esteve circunscrita aos chamados "quarteirões do prazer" (yoshiwara), locais onde havia prostitutas e cortesãs, e que eram permitidos pelo governo.
    Mas as gueixas não eram prostitutas, e faziam parte de um grupo à parte cuja função era oferecer entretenimento, por meio da dança e da música, às cortesãs e aos seus convidados.
    As gueixas eram claramente orientadas por lei a não oferecer serviços sexuais.     Porém, o fato de o governo ter publicado várias leis com a mesma proibição, em intervalos de aproximadamente 20 anos, pode ser um indício de que essa proibição nem sempre era respeitada.

Cultura urbana.
    Além das gueixas que trabalhavam nos yoshiwara, havia as que atuavam em outras áreas das cidades de Kyoto e Tokyo.
    Essas áreas acabaram se tornando centros de uma cultura urbana sofisticada, com destaque especial para as gueixas (o atual bairro de Gion, em Kyoto, foi uma dessas primeiras áreas). Como conseqüência dessa sofisticação, as gueixas serviram de inspiração para a literatura, a música e a pintura do início do século 19.

    Confidentes do poder .
    Desde o final do Era Tokugawa, as gueixas estiveram ligadas aos poderosos. Os samurais precursores da Restauração Meiji (que se iniciou em 1868), por exemplo, acharam nas casas de chá (ocha-ya) de Kyoto um local apropriado e insuspeito para suas discussões e planos políticos.
    Hoje, é comum que líderes do Partido Liberal Democrata (PLD, a principal agremiação política do Japão), promovam reuniões e negociações protegidos pela discrição das casas de chá ou de sofisticados restaurantes (ryotei) de Tokyo, em meio a um ambiente descontraído e, eventualmente, regado a goles de saquê.

       Colaborador: Jornalista - Ricardo Koiti Koshimizu e-mail:ricardo_koiti@yahoo.com

 
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